FREGUESIA DE VIALONGA

CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA

 

HISTÓRIA DE VIALONGA

(Resenha Histórica)

 

 

 

“Desta terra se avista o Tejo e se vê passar as embarcações, digo, o mar”.

(In, Memórias Paroquiais, 1758) 

Situada numa das férteis várzeas dos arredores de Lisboa, Vialonga disfrutou desde cedo da sua posição geográfica privilegiada, assumindo-se como passagem obrigatória para quem se dirigia à desembocadura do Tejo. O próprio topónimo denuncia isso, uma vez que Vialonga cresceu ao longo da tradicional via de acesso à capital.

Desde o final do Neolítico, princípios do Calcolítico que existem vestígios dessa passagem. Junto à Verdelha do Ruivo, mais concretamente na pedreira do Casal do Penedo, existem vestígios de um povoado, uma gruta funerária e um Dólmen (quase totalmente destruídos pela pedreira aí aberta). Também no Monte Serves encontramos um Dólmen, hoje incompleto, sendo apenas visível a cabeceira, um corredor curto e parte da mamoa.

Na época romana era na povoação de Vialonga que confluiam as duas estradas romanas provenientes de Olisipo (Lisboa) e que depois entroncavam numa via única que ia para Braga. Era uma importante área de exploração agrícola, sendo quase certa a existência de granjas agrícolas (villae) como parecem atestar os achados de mosaicos romanos e moedas, em local incerto da Vila.

No século XII, surgem-nos as primeiras referências à Granja de Alpriate, enquadradas num contexto de repovoamento do território, que viria a pertencer aos Templários e à Ordem de Cristo. Do século XIV são os primeiros registos documentais referentes a Villa Longa, que denotam a importância económica das propriedades da região, como abastecedoras de frescos e de azeite à capital do Império, algo que se viria a consolidar em meados da centúria de quinhentos, por época das Descobertas.

A Igreja de N.ª Sr.ª da Assunção de Vialonga, parece ter tido a sua primeira construção em 1390, mas o templo que hoje vemos é de origem quinhentista e integra elementos do século XVII e XVIII, sendo de realçar a talha seiscentista do altar-mor e de dois altares laterais. É um templo de uma só nave, que apresenta altos silhares de azulejos setecentistas com cenas da vida de Nossa Senhora. Na sacristia podem também ver-se azulejos do século XVIII, um lavabo de mármore e pinturas em tela do século XVII. Está classificada como imóvel de interesse público desde 1993.

A nível religioso devemos ainda destacar o Convento de Nossa Senhora do Amparo fundado em 1546, por vontade de Fernando de Alcáçova Carneiro, situado na Verdelha do Ruivo. Foi um dos primeiros que teve a província de Stº António, razão por que o chamaram a Casa Nova.

Temos ainda o Convento de Nossa Senhora dos Poderes, cujas notícias da sua fundação datam de 1561/62 por D. Brites de Castelo Branco, na Quinta de Stª Maria. Era um convento de clarissas e até 1575 síto de recolhimento de terceiras franciscanas passando após essa data a ser regido pela regra de Stª Clara.

Salientamos também a Capela de Stª Eulália, um templo datado de finais do século XV do qual conserva ainda a capela mor. Foi remodelada no século XVII, datando desse período os seus azulejos. Foi restaurada em 1984/85 e está classificada como imóvel de valor concelhio desde 1982.

Foi depois do terramoto de 1755 que alguns nobres procuraram refúgio na nossa vila, onde adquirem terras e constroem os seus palácios. Muitas destas quintas conheceram um relativo esplendor durante o Antigo Regime até ao século XIX, especialmente devido a sua notável arquitectura. Destacam-se deste conjunto a Quinta da Flamenga, com um edifício do século XVII que inclui uma capela com azulejos seiscentistas sobre a vida de Santo António; a Quinta do Duque com um notável conjunto neoclássico, com um solar residencial, capela e jardins (hoje muito degradados) e a Quinta do Serpa excelente exemplo da arquitectura civil do século XVIII, as suas linhas sóbrias demonstram todo o carácter da casa antiga portuguesa. 

Até 1826 a freguesia da Granja de Alpriate coexistiu com a de Vialonga, onde foi integrada naquela data. Após a extinção do termo de Lisboa, Vialonga foi incorporada, em 1852, no Concelho dos Olivais, sendo integrada no de Vila Franca de Xira em 1886.

Com o crescimento da capital, e da sua cintura industrial, alteram-se as tradicionais vias de penetração que eram o Tejo e a várzea de Vialonga. É no século XIX, com o lançamento do caminho de ferro e a construção da ponte de Sacavém, que mais profundamente se alteraria a rede viária tradicional.

A auto estrada “do norte” volta a bordejar a várzea retirando-lhe o papel de acesso à capital e de centro abastecedor de frescos, assistindo-se à implantação de indústrias que exigiam um escoamento fácil.

A proximidade da capital e a sua consequente expansão urbana, foram factores dominantes no aumento demográfico e transformação urbanística que Vialonga sofreu nos anos 60 e 70 e serão fundamentais para a sua elevação a Vila em 24 de Setembro de 1985. O crescimento de bairros típicos da área periférica de Lisboa como habitação acessível a operários e trabalhadores, marca hoje a paisagem de Vialonga, ainda assim é marcante o carácter agrícola da zona, quem sabe ponto de partida para recuperar uma identidade que hoje se não completamente perdida é por muitos desprezada.

 

Pedro Marujo do Canto 

 

 

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